"O facto de ser um negócio familiar é algo que me faz sentir próximo dele" — Rafael Nadal

Rafael Nadal é um homem de disciplina, dedicação e trabalho árduo. 

Tudo isso é parte inseparável do seu sucesso. Quer seja a corrida até à linha de fundo depois do atirar da moeda ao ar, ou como é meticuloso com a colocação das suas garrafas de água à frente do banco no campo, ou como abana o cabelo no fim de um jogo e antes do aperto de mão, tudo tem de estar na perfeição. Alguns desses rituais são tão bem conhecidos que se não os fizer os fãs poderão duvidar se é mesmo Nadal que está no campo.

Uma dessas rotinas conhecidas é quando caminha no campo antes de um jogo com a sua raquete Babolat na mão. Abana-a para a multidão, recebendo o seu aplauso de boas-vindas, mas é também com essa raquete que vai iniciar o jogo.

"Desde o momento em que saio do vestiário, começo a fazer algumas batidas no ar," explica Nadal, "e gosto de começar a sentir a sensação de já estar no jogo. Sinto realmente que o jogo começou, e, como disse, é uma questão de sensações e sentimento."

Existem até rotinas nos bastidores que faz com a sua raquete, apesar de não serem muitas. Enquanto coloca fita adesiva nos tornozelos antes de um jogo, usa esse tempo específico para colocar grips nas raquetes que vai usar para o próximo confronto.

Em tudo o que diz respeito ao ténis, a memória fotográfica de Nadal é impressionante.  Consegue lembrar-se da primeira raquete com que jogou. Foi-lhe oferecida pelo seu tio Toni, o seu primeiro treinador durante muito tempo, e está orgulhosamente exposta no museu da Rafa Nadal Academy para ser admirada por todos. A Rafa Nadal Academy ocupa instalações extensas em Maiorca que o próprio supervisiona com todo o empenho.

A raquete que evolui com ele na Babolat é a Pure Aero, num impressionante amarelo fluorescente. Diz, "Geralmente jogo com raquetes com as quais treino. Transporto seis raquetes no meu saco e tenho-as todas bem numeradas por ordem, por isso sei sempre qual estou a usar. Geralmente começo a jogar com a que usei para o aquecimento e que também foi encordoada mesmo antes do jogo.

Não tenho qualquer critério especial. Uso o mesmo peso e grip em todas as superfícies. Jogo também com a mesma tensão, que é geralmente de 25 kg. Existem algumas exceções — quando jogo em altitude, podendo encordoá-las em 25½ kg."

A sua associação com a Babolat remonta aos seus nove anos. Apesar de Nadal ter começado com a Pure Drive, ajudou a desenvolver a Pure Aero e continua envolvido no processo de inovação e de testes de produtos da Babolat. Gosta do equipamento por várias razões: funciona na perfeição no topspin pesado com o qual joga, e a potência gerada é excecional. Nadal tem "uma grande interação" com a equipa da Babolat uma vez que trabalham juntos na ferramenta que é a parte mais importante do conjunto de equipamento de um jogador. 

Será que ele ainda conseguiria jogar e ser competitivo com uma raquete que usou em 2005, o ano em que ganhou o seu primeiro Open francês? Ficou entusiasmado com a pergunta. "Não, não, não, acho que não conseguiria jogar com a mesma raquete," diz. "As raquetes evoluíram, e tenho a certeza de que ficaria a perder algo, e o resultado não seria o mesmo."

Isto está em sintonia com a avaliação do Presidente e Diretor Executivo da Babolat, Eric Babolat, que conduziu o percurso da empresa com Nadal. "A aerodinâmica da Pure Aero é completamente diferente da de uma raquete tradicional," afirma. "As raquetes tradicionais foram concebidas com a preparação para o golpe ser feito na horizontal, mas a Pure Aero evoluiu de forma a permitir uma preparação quase vertical para gerar o topspin,"

A empresa familiar coesa que é a Babolat combina na perfeição com a atuação familiar coesa que foi o alicerce da carreira de Rafael Nadal. Dizia-se que as empresas de raquetes iriam fazer fila com propostas milionárias para que ele usasse o seu equipamento, mas o dinheiro não está em causa neste caso. "O facto de ser um negócio familiar é algo que me aproxima dele," diz. "É a quinta geração, e isso também diz alguma coisa."

E caso esteja a perguntar-se se ele alguma vez partiu uma raquete num ato de fúria, a resposta é não. "É a forma como fui ensinado," diz com orgulho. "Mesmo quando era criança nunca atirei a minha raquete."